segunda-feira, 2 de junho de 2008

Não desanime


Não se deixe desanimar, é uma ordem!!!

Abstrusamente perfunctório! Ou não...
30/07/2007
Trutas e Tretas
As loucuras repentinas o confundem a todo instante. As incertezas o colocam em total bagunça consigo mesmo e pra piorar, os conflitos cada vez mais frequentes transformam em tempestade o que antes era apenas uma goteira controlável. Cansado de tentativas que nunca chegaram a se completar e nem de serem percebidas, transforma o já consagrado jogo em algo velho a ser repaginado. Ao menos em sua mente.
Perdeu a personalidade e se sente refém. Não a vê em um futuro próximo, porém, o presente o alegra, mesmo que semeado de conflitos. Fecha os olhos e torce pra tudo acabar. Canta sons mentalmente para não ouvir a lista das "10 mais" mais uma vez. Quer reinventar o já velho e batido desconforto. Quer re-colorir o acinzentado-colorido de sua vida, mas tem medo e nem sabe o porque de tal sentimento. Apenas imagina e prevê.
Nada tão novo e nada de que nunca foi superado. A mente trabalha procurando talvez dissolver e diluir a balbúrdia que sente em alguns momentos além de não se inquietar mais com velhas visitas inconvenientes.
Recebe-as, mas tenta despachá-las com a mesma rapidez e facilidade com que as aceita para não perder mais nenhum momento do " nada-interessante-que-sempre-me-cai-bem".
Coloca o melhor som e nele viaja para bem longe, onde a paz e a calma reinam eufóricos. O copo cheio reluta em transbordar e as gotas continuam caindo. Ele se alargando mais e mais de modo a não deixar-se vencer...
O vento cortante já passa batido por entre as vielas de sua já tão vazada alma. Alma essa que cresceu e se modificou. Se pra pior ou melhor ninguém sabe, mas sim, que apenas se modificou. Perdeu a sintonia consigo mesmo e as notas de suas canções vem estremecidas como se não tivessem sido criadas por ele. Desconhece a própria sombra e nem reconhece sua própria voz, mas ciente de que tudo faz parte de um aprendizado, aceita (as vezes) passivamente o vento frio que teima sempre em visitá-lo. Não se conhece mais ao espelho mas não o desagrada tanto a nova imagem. Sua mais nova versão, seu mais novo avatar parece desajustado e mais desconexa com a que conhecia, porém, mais graúda e mais talhada sim, talvez, sabendo que mais a frente bem o fará.
A experiência não serviu em nada a não ser em esfregar na cara dele que pelo menos nessa melodia, ela não o acompanhará.
" Caminhe sozinho". " Aprenda sozinho", ele ouve enquanto escuta mais uma vez a mesma música que fala sobre o silêncio inquietante de um escuro vazio, mas cheio de felicidade. Tropeça nos mesmos velhos buracos e suas nuvens deram um tempo dele mesmo.
Um tempo a ele, embora, já deixaram bem claro que o acompanharão apenas quando forem solicitadas. A água continua caindo e ele imóvel tenta relaxar enquanto o filme com suas descartáveis imagens não sai de sua cabeça. As vezes se culpa pelo trivial cotidiano que tanto adora. As vezes se queixa e carece de uma guinada... Pensa na dúvida. Esquece da certeza e por fim, acaba não agindo. Os passos no chão continuam nos mesmos locais. A futilidade se espalha mais e mais colocando temores de um futuro solitário e incompreendido.
Os outros vencerão suas falsas batalhas e o olharão de forma superior. As vidas continuando enquanto seus protagonistas se afundam cada vez mais em vitórias holográficas e camufladas por falsas e virtuais alegrias momentâneas e com prazo de validade a vencer. Cairão nos já previsíveis erros. Mais cedo ou mais tarde darão a mão e sofrerão juntos o desespero desfecho das incertezas. Talvez seja tarde demais para se lembrarem das críticas feitas e dos conselhos não ouvidos.
De quem eram mesmo???
Não faz mais nenhuma importância. Ele acompanha tudo do alto da montanha, lamentando apenas tamanha radicalidade. A vida passou e ele tentou dominá-la. Hoje, depois de tanto tempo entre levantes e quedas, se alegra das lembranças e ri. Ri do desespero que nele imperava em certas ocasiões. Fecha os olhos e viaja... A única certeza é a dúvida de que...

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